segunda-feira, 11 de abril de 2011

Às fadas madrinhas...

Era uma menina quase como outra qualquer. Apenas criada como se estivesse em uma redoma de cristal. E, era lúdica, uma criança tão lúdica! Crescia sem ver o lado feio das coisas. E quando o via, logo esquecia. Refugiava-se no seu mundo. O seu mundo tão particular, com fadas, princesas e bichos encantados. Refúgio também das bebedeiras do pai e das consequentes brigas entre ele e a mãe.

Um dia, em meio a gatas borralheiras, cinderelas e abóboras, por meio da voz de sua mãe, a menina descobriu a figura da fada madrinha. E, sim, aquela mesma voz lhe confidenciou que ela, a menina, tinha uma fada madrinha! E a sua fada madrinha era tão bela! Parecia a Madame Rizzo! E mais, descobriu ainda que, se se portasse bem e tirasse boas notas na escola, seria presenteada! Sabia que passaria de ano sem problemas e era uma boa menina. 

Assim que obteve o boletim do quarto bimestre, fez uma cartinha. Toda caprichada, cheia de desenhos e cores. Ela e a mãe escolheram o lugar ideal para que a fada madrinha a achasse sem problemas. Escolhido o local, voltou a menina a brincar. De repente, quando olhou para a estante… Surpresa! A cartinha havia sumido. "Olha, mãe! Ela já levou! Eu estava aqui no sofá e nem vi!" 

Dias depois, a menina e a mãe foram a loja de brinquedos e escolheram o presente. Uma menina-flor! Um vaso que se transformava em boneca. Deixaram o presente reservado na loja, pois, mais tarde a fada madrinha passaria lá para pegá-lo.

Quando chegaram em casa, foram surpreendidas. O presente já estava lá. Em cima da cama da menina. Os seus olhinhos brilhavam de satisfação. Passou o resto da manhã a brincar com o presente da fada madrinha.

Durante o almoço, a menina entusiasmada relatou os fatos ao pai. Este, deu uma risada debochada: "Tolice! Não sabes então que não existem fadas madrinhas? Isso é coisa da tua mãe!" "Verdade, mãe?" A mãe assentiu com a cabeça. Chateada e enraivecida, olhou para o pai: "Seu sem graça! Precisava fazer isso? Parece criança!"

A pequena baixou a cabeça, voltou os olhos para a comida e terminou a refeição em silêncio. Em breve, aquela história seria esquecida, pois, era o que fazia quando algo a desagradava: trancava numa caixinha. Quase nunca lembrava delas, e, quando voltavam a tona, ela as trancava novamente. 

Por fim, deixou a mesa em silêncio, e, passou a tarde toda a brincar, a brincar com a boneca que tinha ganhado da mãe.

4 comentários:

  1. Pra que tirar o brilho de uma criança não é mesmo, principalmente no mundo em que vivemos hoje, devemos deixar as crianças na fantasia até terem idade para elas mesmas enxergarem que todas as mentirinhas fizeram parte da infância, infância que eram felizes acreditando em papai noel, coelhinho da páscoa, enfim é aquela mentirinha que não faz mal a ninguém.
    Amei o post!

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  2. Adorei o comentário, admito! Melhor ainda o tweet que vc deixou pra mim. Fiquei toda feliz! Vou dar RT aqui: @jrdeoliveira amei o post! De longe o melhor de todos! =))))

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  3. lindo txt. Confesso que me emocionei, pq lembrei da última tirinha do Calvin & Harold, onde o mundo começa a ficar real (mesmo ele não querendo isso), a criança dá adeus ao imaginário...
    :(

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Você não pode ter medo de um vegetal! (por Baby Patolino)