terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu Quase Casting… (& A Inacreditável Habilidade de Ser "Inapropriadamente" Cri-Cri)

Quinta-Feira:
- Olha, amor, recebi um email de casting para peles aqui… Vou mandar uma foto sua!
- Minha? Por que não sua?
- Porque é um casting feminino?!? ¬¬

Sexta-Feira:
SMS: "Te chamaram para um teste! Posso marcar?"
Concordo. 
Vou ao banheiro e lavando as mãos, em frente ao espelho, constato que sombracelha precisa de um retoque. E, que aquela depilação que eu estava adiando para semana pré-Natal teria que ser adiantada.
Cinco minutos mais tarde, descubro que minha depiladora não trabalha mais no salão ao lado da minha casa. E agora? Um ano e meio de fidelidade, jogado assim, sem mais nem menos, no lixo. Sem um adeus, um nada. Por onde ela andará? Hum, deve ter aproveitado a dispensa e ter ido pro Maranhão tirar férias em família… Affff!! Ok, deixemos de mesquinharia, em casa me viro.

Sábado:
Saio do banho com aquela sensação de: mas, por quê eu tenho que fazer isso mesmo?
Enrolo para me arrumar. Descubro minha única camiseta branca decente na fila da máquina. "Ah! Que se exploda! Isso não é importante!"
Meio-dia e meia. Chego no endereço. Entro e olho aquela semi-organização. Sala quase cheia. (Mas pra quê que eu vim mesmo?) Assino um caderninho daqueles de presença. (Precisa disso mesmo, moderninhos?) Tem um cara falador na saleta, liga o som no Detonautas (argh!), depois, volta a falar, parecia aquele cara de colégio que fica fazendo gracinha pras menininhas (puta-cara-chato) e todas riem fascinadas. Eu não. Finjo não estar escutando, olhando uma colagem na parede. Descubro que é o fotógrafo. (Na verdade, escutei várias conversinhas particulares do pessoal que trabalhava naquela produtora, totalmente desnecessárias.) 
Uns minutos depois, a secretária diz que cai pegar o termo pra eu assinar. O termo, sabe? Aquela coisinha básica de direitos de imagem, duas folhinhas, no máximo. (Faço o teste hoje, se der certo volto mais um dia e voilà! #vaigordinha para minha conta! *.*) 
Chega o termo. Umas 30 folhas. Contando baixo. As outras meninas, também acompanhadas dos namorados, assinam quase sem ler. E, eu, ressuscitando aquela veia jurídica, lendo tudo. Linha por linha.
Tem uma atriz de teatro na sala e o contrato dizia: mulheres normais. Com uma cláusula de comprometimento, inclusive, de que todas éramos mulheres "normais", não atrizes, modelos, cantoras, nem que tivéssemos aparecido na mídia. Apenas comuns. E que, se aprovadas, teríamos que ficar 3 anos sem falar publicamente do assunto ou de outros produtos semelhantes, inclusive em redes sociais. (E meu BLOG? TWITTER? OMG? Tudo bem… A grana parecia legal, bom, e já que viemos até aqui…)
Aí chega a cláusula da disponibilidade. (TRÊS MESES? Mas que mulher normal é essa que fica totalmente disponível 3 meses. De boa?) 
O fotógrafo pergunta se eu ignorei a camiseta branca. Tenho vontade de responder: Se tivessem me avisado quando perguntei. Mas, respondo apenas que sim.
A secretária começa a tirar as medidas de uma menina ali. No meio de todo mundo. Não que alguém estivesse ligando. Mas.. pohan… tinha que realmente ser ali?
Primeira tentativa de fuga: Perante a falta de disponibilidade, (o cachê poderia ser legal, mas, o restante do ano/vida alguém teria que me bancar), tive que me pronunciar. Três meses, por períodos de 3 a 5 dias ou se for uma gravação internacional de 7 a 15 dias. (Muito legal poder viajar recebendo para isso. Mas, sabe quando o banco vai me dispensar com essa finalidade? Nunca é uma resposta bem aceitável.) Fui lá falar com a secretária. Ela me convenceu mostrando um espaço para marcar os períodos de  "indisponibilidades". 
Continuo lendo. Que contrato mal redigido! Aí começam a aparecer várias lacunas, provavelmente a serem preenchidas depois. Mas, eu tenho que rubricar todas as folhas. Como concordar com um espaço em branco? (Lá vem aquela mosquinha dos contratos zumbir no meu ouvido). Deixei umas folhas sem rubricar, até que… MULTA? Como assim multa? Para uma pré-seleção? 
Ok, pensei. Assino tudo lindo. Aí me chamam. Aí tem que ser durante a semana. Aí não me liberam. Aí minha conta corrente toma uma ré que já larga de no mínimo mil euros (ou seriam dólares? Contrato mal feito!)
A Fuga: Volto a secretária. Digo que terei que desistir. Que não posso me comprometer a uma multa, sendo que as datas estão indefinidas e que temos no máximo uma ideia de um período de tempo.
Ela tenta me convencer do contrário. Dizendo que uma pré-seleção. Que não existem valores estipulados.
Volto a argumentar dizendo que se assino um contrato, ele pode ser cobrado. (Penso que trabalho analisando contratos o dia todo. Não posso me deixar levar. Eu sei, diariamente, que pode dar errado).
Ela diz que aquilo não é um contrato. É um termo.
¬¬ Um termo de adesão? Ironizo. E percebo que é melhor desistir do que ficar gastando meu latim. Afinal, eu tive cinco anos e meio para aprender contratos… rsrsrsrs
Ela ainda termina dizendo que o tal termo é daquele jeito para a gente ir "acostumando com os contratos da referida empresa".
- Então eu não preciso assinar nada disso.
- Não, tem que assinar.
- Ok, então, eu prefiro desistir.
Achei que era a coisa certa a fazer. Até porque naquele clima, fazer teste de vídeo/foto ou não fazer… dava na mesma.
Saí achando que fiz o que era certo. 
Foi só botar o pé na rua pra me sentir um lixão. Por não ter a mesma cara de fascinada/ingênua com aquilo tudo como as outras meninas tinham. Por não ser/parecer eternamente grata por terem me chamado. Por ser extremamente desconfiada de todos os papéis que tenho que por meu nome. C'est la vie!
Sorte ter o namorado apoiando. Apesar de saber que ele queria que eu tivesse feito. Mas, também, ele queria que fosse um lugar mais legal. Com mais cara de profissional. 
"Pena ter sido assim. Mas você era a mais linda de todas. Ia levar fácil!" Ai, ai… <3<3 Tem como não amar?

Segunda-feira:
Toca meu telefone. Alguém querendo marcar o casting. Aviso que já fui no sábado. O alguém me dá a desculpa esfarrapada de que meu nome estava em duplicidade na lista. "Vamos torcer, então! Boa sorte!" Aviso que não fiz o teste, porque não concordei com o termo. "Ah tá. Tchau, tchau." Essa foi a resposta para não concordei com o que estava escrito no termo. Simples assim.

*A campanha? De uma linha de produtos de higiene pessoal (?). Provavelmente, ano que vem, vai aparecer alguma propaganda com várias latinas, asiáticas e indianas… O nome? (Olha a responsabilidade jurídica aí, gente!!) É quase como se fosse… O Amor em outra língua. ;)

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